Crianças e tecnologias: como estimular os pequenos a fazerem mais atividades offline

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A vida no meio de telas: essa é a realidade de muitas crianças no mundo atual. Por um lado, tentar afastá-las a todo custo de qualquer coisa que pareça digital é praticamente impossível. Por outro, quem de nós nunca sentiu um alívio ao vê-las entretidas, enquanto podemos realizar nossos afazeres com calma? Mas você já parou para pensar sobre até que ponto a relação entre crianças e tecnologia pode ser prejudicial?

Para começar, é importante lembrar: diferentemente do nosso tempo, os pequenos de hoje já nascem com os recursos tecnológicos disponíveis — e não importa a classe social ou econômica. Eles estão cada vez mais acessíveis, além de indispensáveis em nosso dia a dia.

Mas como nossa intenção, aqui, é refletir sobre o lado oposto, preparamos este texto bem esclarecedor. Para isso, conversamos com Fernanda Monteiro, terapeuta ocupacional e autora de Super Gênios, que nos trouxe sua visão profissional sobre o assunto.

Vamos analisar juntos alguns pontos? Continue com a gente e saiba como estimular mais atividades no offline para a meninada!

Os perigos do uso excessivo da tecnologia

Tudo em excesso tem seu lado negativo. Já ouviu essa afirmação antes, não é? Pois ela é totalmente válida. Sabia que até o consumo exagerado de vitaminas pode nos causar problemas? Imagine, então, o de tecnologia!

Como estávamos falando na introdução, afastar a criançada dela é praticamente impossível, pois em todo canto ela está presente. Não estamos falando apenas dos produtos destinados à nossa praticidade, não! Aplicativos para o público infantil também são lançados todos os meses!

Não vamos negar que as telas são atrativas! No entanto, elas também têm seu lado ruim. Conheça!

Lapso no desenvolvimento cognitivo

Trocar a vida real pela virtual impede a criança de desenvolver o sistema cognitivo. Ela precisa do estímulo sensório motor para que o cérebro associe bem os conceitos, explica-nos Fernanda. Tocar no objeto e entender o que é duro, macio, quente e frio é muito mais rico do que olhar um tablet. Passar por debaixo de uma mesa e entender o que é “em cima” e “embaixo” torna a noção espacial mais concreta, ela exemplifica.

Dificuldade na aprendizagem escolar

Os pequenos têm necessidade fisiológica de ter um tempo para assimilar a informação. Vem daí aquela mania de repetir o mesmo desenho. “No celular, fica complicado, porque a criança vê uma vez, passa para outra coisa e não tem o tempo que precisaria para absorver aquele conhecimento”.

Ou seja, o que Fernanda nos diz é que quando o aprendizado se dá somente por meio de aplicativos, os pequenos lidam com muitos estímulos simultâneos, não conseguindo absorver o novo conceito com eficiência. Então, o cérebro não se desenvolve adequadamente e, com isso, não adquire maturidade suficiente para aprender as matérias escolares.

Inabilidade social

Crianças precisam aprender a se comunicar. Essa habilidade só é adquirida quando há o olho no olho, “quando alguém fala e o outro responde”. Mas isso não envolve só a vocalização! A expressão corporal e a facial fazem parte de todo o contexto de uma conversa. Quando isso não é treinado, o que temos são jovens sem habilidade para se expressar ou para ouvir o outro.

Tendência ao imediatismo

Não saber esperar e ter pouca tolerância ao tédio são outras consequências adquiridas pela relação inadequada entre crianças e tecnologia. Isso porque, no mundo digital, elas estão cercadas por muitos estímulos.

Além disso, contam com a facilidade para alterá-los, cada vez que se cansam ou se frustram. Uma fase difícil em um game, por exemplo, é motivo suficiente para trocar por outro.

Problemas emocionais

Mesmo perto, elas estão longe. Já teve essa sensação? Estão ao nosso redor, ou em nossa frente almoçando. Mas a tela do celular as isola completamente.

Essa falta de proximidade com a família e com outras crianças predispõe a distúrbios, como ansiedade, depressão e baixa autoestima. Sem contar o fácil acesso a conteúdos inapropriados, como aqueles que incentivam desafios perigosos.

4 formas de estimular as crianças a brincar sem usar a tecnologia

crianças e tecnologia

Agora que você entendeu os riscos na relação entre crianças e tecnologia, que tal inventar momentos deliciosos para incentivá-las a viver o mundo real com mais proveito?

1. Apresente brincadeiras antigas

Talvez você se lembre da sua infância. Internet ainda não existia ou, ao menos, não era acessível a todos. Brincar na rua até cansar e, na volta para casa, precisar daquele banho de esfregar bem cada parte do corpo, era até rotina!

Essa nostalgia toda não precisa ficar apenas nas memórias! Resgate suas brincadeiras antigas preferidas e as apresente à meninada! Amarelinha, elástico, bolinha de gude, corre-cotia, esconde-esconde, são muitas opções. Você se lembra de mais alguma? Apresente esse mundo aos pequenos de hoje!

2. Proponha momentos de brincadeiras com a família

Fernanda também é adepta dessa dica. E ela ainda ressalta: “enquanto alguém estiver no celular, o outro também vai querer ficar. E se for criança, vai imitar o adulto. Não adianta eu sentar com meu filho e não tirar o olho da tela”.

Então, já sabe, viu! Esqueça o aparelho por alguns minutos. Além disso, reunir toda a família é um ótimo incentivo para trabalhar a boa comunicação! Sabe o “olho no olho”, de que comentamos há pouco? Essa proximidade ainda estreita os laços, fazendo com que, ao crescerem, tornem-se adolescentes mais saudáveis e confiáveis.

Lembre-se de algo importante: se você não quiser lidar com problemas sérios na relação com eles, quando estiverem mais velhos, precisa trabalhar isso desde cedo, está bem? Uma ideia é reunir os melhores brinquedos e sentar no chão. Pode apostar que a criançada achará incrível ter esse tipo de atenção vinda de um adulto!

Brincadeiras ao ar livre também são ótimas escolhas, ainda mais naqueles dias de calorão. E já tentou o trava-língua? Apesar de simples, ele ajuda na diversão.

3. Use jogos de tabuleiro

O pensamento estratégico e o sentimento de empatia são duas capacidades importantes no desenvolvimento infantil. Os jogos de tabuleiro trabalham isso muito bem. Diferentemente de games eletrônicos, aqui, é mais difícil que as crianças mudem de brincadeira, apenas pela dificuldade da fase. Além disso, por haver pessoas reais na disputa, o senso de competição fica mais aguçado.

E vai uma dica: não facilite em todas as jogadas. Os pequenos precisam passar pela frustração de perder ou de não alcançar aquilo que tanto desejam. Isso ajuda a torná-los não apenas seres humanos mais resilientes, mas também, que sabem ouvir um “não”.

4. Sugira brincadeiras que estimulem a criatividade e a cognição

É importante apresentar estímulos que ajudem a meninada a adquirir habilidades relacionadas à criatividade e às capacidades motoras. Brincar de fazer slime ou de criar coisas com massinha desperta as áreas cerebrais responsáveis por tais aptidões.

Desenhar e colorir também é muito válido para isso. E quanto mais cores e purpurinas disponíveis, melhor ainda! Que tal realizar um concurso para ver quem consegue fazer a criação mais linda?

Falamos, aqui, sobre como os excessos na relação entre crianças e tecnologia pode prejudicá-las. Mas isso não significa abominar todos os recursos digitais! Até porque eles têm lá suas vantagens. O que cabe é o equilíbrio. E isso você pode conseguir colocando em prática essas nossas dicas, combinado?

Gostou do artigo? Então, não deixe de conferir, na próxima leitura, como fazer um caça ao tesouro para divertir qualquer pirata!

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