Entenda quais são as fases da criança e conheça melhor o seu filho

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Conhecer todas as fases da criança nos ajuda a ter uma noção das habilidades a serem conquistadas e possíveis dificuldades enfrentadas. A partir disso, fica mais fácil saber o que esperar para cada idade e como auxiliar nesse processo.

Pensando em ajudar você, reunimos, neste post, algumas características importantes para cada período. Além disso, conversamos com Patricia Camargo, do portal Tempo Junto, que nos ajudou a entender melhor algumas características infantis.

É só continuar a leitura!

O primeiro ano

O primeiro ano da criança representa uma nova fase de adaptação. Ao nascer, o bebê precisa se acostumar com um mundo totalmente novo daquele que conhecia dentro da barriga da mãe. 

A criança é muito instintiva e reage dessa forma para suprir todas suas carências. O choro é seu principal meio de comunicação e é por meio dele que expressa fome, dor, medo, susto e insatisfação.

De 0 a 6 meses

Nos 6 primeiros meses, é esperado que o bebê use o choro para relatar suas angústias. Isso acontece com fralda molhada, cólica ou um estômago vazio. 

No aspecto social, ele aprende a diferenciar sua mãe (ou o principal cuidador), demonstrando mais segurança e satisfação ao estar em seus braços. Aos poucos, adquire a capacidade de sorrir para rostos. Isso é um bom sinal, pois demonstra que sua visão já está mais desenvolvida!

É uma fase de bastante vocalização. Começam aqueles grunhidos bonitinhos. E se ele tentar imitar sons à sua volta, é um indício de que sua audição e intelectualidade estão adequadas.

Progressivamente, começa a ter mais força na cabecinha e no tronco, podendo levantá-los ao ficar de bruços.

De 6 a 12 meses

O desenvolvimento é mais expressivo. No aspecto emocional, o bebê demonstra um vínculo mais forte com a mãe e passa a sentir receio ou desconforto na presença de estranhos. Assim, nada de ter vergonha se ele chorar no colo daquela vizinha que nunca viu antes!

E se tiver percebido que não se desgruda de um paninho ou brinquedinho, não estranhe! É completamente normal! Esses objetos dão uma sensação de segurança.

A vocalização aumenta e agora a criança começa a pronunciar sílabas. Por volta dos 10 meses pode dizer sua primeira palavra. Não se esqueça de registrar esse dia em um livro de memórias do bebê!

O que dizem Freud e Piaget

Freud retrata esse período como “fase oral”. Para ele, toda a libido (na psicanálise, esse termo não está ligado apenas a algo sexual. É também a energia criada pelos instintos de sobrevivência) está centrada na boca. É por ela que a criança se alimenta e experimenta o mundo.

Assim, brinquedos macios e que possam ser levados à boca devem fazer parte do dia a dia dos bebês. Mordedores também são boa pedida!

Para Piaget, essa fase da criança representa o sensório-motor. É a descoberta das sensações dos movimentos do corpo. A coordenação motora começa a ser treinada. Por isso, tenha chocalhos coloridos ou um tapete de atividades para ele brincar!

Do primeiro ao quarto ano

Aquele bebê que dormia durante horas no dia ficou para trás! A energia dos pequenos fica a mil. Acompanhá-los parece uma verdadeira ginástica!

De 1 a 2 anos

Agora, a criança já começa a perceber melhor a diferença nas expressões e emoções dos adultos. Contudo, ainda não sabe diferenciá-las tão bem. Podem confundir uma risada com tristeza, por exemplo.

Já presenciou alguma birra? Tenha calma e empatia! Os pequenos ainda não aprenderam a lidar com suas frustrações e usam os gritos para demonstrar insatisfação ou aliviar a raiva.

Por volta dos 11 ou 13 meses, começam os primeiros passinhos. Aos poucos, aprendem a subir e descer dos móveis. Assim, todo cuidado com escadas, objetos que machucam e tomadas é pouco! Até porque a curiosidade é gigante nessa fase.

De 2 a 3 anos

Emoções, como raiva e prazer, estão mais expressivas e, nesse cenário, irritação diante de qualquer frustração é normal. Enquanto isso, as birras aumentam e começa a famosa fase da criança “terrible two”, também chamada de “adolescência dos pequenos”.

Nela, choros e manhas se tornam ainda mais frequentes, exigindo de nós uma dose de paciência. Mas assim como na etapa anterior, aqui os pequenos ainda não sabem como enfrentar a insatisfação. Para isso, Patricia nos alerta que é importante não exigir da criança um comportamento de adulto, principalmente para uma situação desconhecida. Temos que nos colocar em seu lugar e tentar entender como sua mente funciona.

Somos surpreendidos por perguntas do universo infantil e muitas delas nos fazem parar e pensar (ou pesquisar no Google) antes de responder.

O desenvolvimento motor continua rápido. De pequenos caminhantes, agora se tornaram grandes saltitantes! Patricia ressalta: “quando chega aos dois anos, a criança tem muita vontade de descobrir fisicamente as suas limitações. Quer correr, pular e escalar. Tem vontade de descobrir esse corpo novo que ganhou”.

De 3 a 4 anos

A mãe ainda é uma figura fundamental, mas agora os pequenos já demonstram mais independência em relação a ela. A percepção das emoções alheias está mais apurada nessa idade. Assim, passam a se preocupar em agradar os adultos ao redor.

Aos 4 anos, inicia-se o interesse pelas atividades em grupo. Será cada vez mais comum vê-los brincando com um amiguinho ou uma amiguinha ao buscarmos na escola ou creche. Então, tenha espaço no celular para registrar esses momentos!

O que dizem Freud e Piaget

Para Freud, agora a criança se encontra no estágio anal. Consegue controlar suas necessidades e se sente incrível por isso! Parabenizá-la por usar direito o troninho será benéfico!

Na concepção de Piaget, até os 2 anos, a meninada ainda continua no período sensório-motor, descobrindo sua coordenação motora e as reações a partir de suas ações. Você verá uma criança muito feliz e entretida ao jogar um objeto dezenas de vezes no chão, observá-lo cair e pegá-lo de volta.

Aos 2 anos, começa o estágio pré-operatório. Com a linguagem mais avançada, o pensamento também está mais evoluído. Assim, a criança começa a fazer pequenas representações mentais. Uma régua pode, tranquilamente, se transformar em um carrinho, por exemplo! 

Também podemos vê-la atribuindo aos objetos os seus próprios sentimentos e pensamentos. Ela pode dizer, então, que o ursinho está com sono e vai dormir. Dar pelúcias ou bonecas de presente é uma boa pedida! Só cuidado com peças que não podem ser engolidas!

Do quarto ao sexto ano

Cada vez mais espertos, os pequenos não param de nos surpreender! Estão atentos ao redor e aprendem tudo muito rápido. Assim, cuidado com palavras inadequadas perto deles!

De 4 a 5 anos

Essa fase da criança é intensa com relação às fantasias. Não é difícil vê-la brincar com um amigo imaginário. Não estranhe se isso acontecer! O que tem a ser feito é observar como se dá essa relação. Preferir a companhia desse amiguinho a de uma pessoa real, por exemplo, pode ser indício de conflitos ou dificuldades no comportamento social.

Por falar em fantasias, medos podem aumentar aqui. Lobisomens, vampiros, monstros e bruxas passam a fazer parte de seus pensamentos. Tente tranquilizar a criança com relação a isso, mas não deprecie seus temores.

Aproveite o período para estimular a criatividade. Pinturas, slimes, massinhas, brincadeiras de casinha ou com fantasias são ótimas opções!

O desenvolvimento da linguagem já é mais apurado. Os mais extrovertidos, principalmente, são capazes de manter conversas um articuladas e com frases estruturadas. E se prepare: a fase das perguntas aumenta! 

Uma boa sugestão é ensinar um trava-línguas! Verá como a diversão será garantida! Mas claro. Tenha em mente que todo crescimento é único. Podemos ter uma criança que conversa pouco, mas completamente normal.

Os pequenos já conseguem escovar os próprios dentes, tomar banho e se vestirem sozinhos. Ainda assim, não deixe de acompanhá-los nesses momentos.

De 5 a 6 anos

Os medos passam a ser mais presentes e podem aumentar. Escuro, avião, bichos e cachorros são alguns exemplos.

A articulação na fala aumenta e, agora, a meninada já consegue usar melhor o plural e os tempos verbais. Pode começar a contar histórias sobre si ou sobre os acontecimentos na escola. Procure dar atenção e estimular a conversa por meio de perguntas.

Com o desenvolvimento motor mais afiado, as crianças conseguem manter o equilíbrio por mais tempo, arremessar bolas e andar em cima de uma linha. Aprender a escrever o próprio nome é outra aquisição importante. Que tal aproveitar isso e introduzir jogos de formação de palavras?

O que dizem Freud e Piaget

Para Freud, dos 4 aos 6 anos, os pequenos estão na fase fálica. A atenção está voltada à região genital, mas não de uma maneira sexualizada. Eles diferenciam meninos e meninos a partir da existência ou falta do “pipi”. Inicia-se o Complexo de Édipo para eles e Complexo de Electra para elas. O menino passa a ter mais afinidade com a mãe e a rivalizar com o pai, e vice-versa.

Para Piaget, as crianças ainda estão no pré-operatório. É normal vê-las brincando enquanto narram o que estão fazendo ou o que o brinquedo está sentindo.

Até os 11 anos

Na fase da criança dos 7 até os 11 anos, há intenso desenvolvimento escolar. O colégio passa a ser uma importante referência no dia a dia. É lá que a meninada aprende, tem contato com novas amizades e forma admiração por uma professora.

O egocentrismo da primeira infância começa a ir embora por volta dos 7 anos. Aproveite para introduzir jogos de tabuleiro, pois eles têm muito a ensinar sobre regras, ganhar, perder e empatia.

Aos 8 anos, as crianças começam a ganhar gosto pelas atividades físicas e definem seu esporte preferido. Estimular isso é importante, pois além de os exercícios ajudarem a completar o desenvolvimento motor, são ótimos para a saúde e prevenção de doenças, como obesidade, diabetes ou depressão.

Aos 9 anos, começam a ter uma percepção mais realista do mundo. Não deixe de ensinar deveres e responsabilidades com as tarefas da casa. É importante que ouçam um “não” vez ou outra e conheçam limites.

Aos 10 e 11 anos, manifestam mais interesse ainda por games. Também estão com a cognição mais proeminente, sendo capazes de manter a concentração e a atenção por mais tempo. Jogos de memória ou quebra-cabeça avançados são ótimos para ajudar nesse treino.

O que dizem Freud e Piaget

Para Freud, dos 7 aos 11 anos, as crianças entram no período chamado latência. A libido é deslocada para atividades sociais, escolares e esportivas. Por isso, há o aumento do interesse pelo colégio, pelos amigos e atividades, como ballet ou judô.

Piaget chama esse período de fase das operações concretas, pois o pensamento está mais evoluído.

Antes dessa fase, ao colocarmos dois recipientes ao lado do outro, com a mesma quantidade de água, sendo um mais alto e o outro mais largo, as crianças diriam que o primeiro teria maior quantia de líquido. A partir de agora, já têm noção de comparação e fazem uma reversibilidade mental, o que deixa esse tipo de julgamento mais apurado. Assim, é uma boa hora para treinar a lógica.

Jogos de estratégia também caem bem aqui. Inclusive, podem ser usados como meio para ensinar a lidar com dificuldades na vida. “Às vezes, uma atitude no próprio jogo pode ajudar a mostrar ao seu filho caminhos diferentes”, completa Patrícia. Montar um caça ao tesouro, por exemplo, pode ser bastante divertido!

Apresentamos um aspecto geral das fases das crianças. Tê-las em mente é importante para que saibamos o que esperar em cada momento. Mas entenda que elas representam apenas uma média geral. Assim, qualquer diferença não é necessariamente um problema.

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