Como montar uma brinquedoteca

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brinquedoteca|
Criança fazendo colagem em papelão

Toda brinquedoteca é um espaço de puro entretenimento, capaz de ajudar no desenvolvimento infantil. O cantinho, além de seguro, é puro estímulo para a meninada adquirir diversas habilidades. Afinal, com tantos brinquedos disponíveis e várias crianças juntas, não tem como sair do ambiente sem algum proveito, concorda?

O espaço é tão especial, que algumas famílias até investem em um local como esse em casa, para proporcionar mais aconchego e diversão à criançada. Já outras não perdem a oportunidade de propiciar bons momentos em brinquedotecas comerciais.

Pensando na relevância do tema, conversamos com Maria Angela Barbato Carneiro, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e responsável pelo Núcleo de Cultura e Pesquisa do Brincar. Ela nos contou muita coisa importante sobre o assunto! Que tal dar uma olhada?

Como a brincadeira colabora para uma infância saudável?

No final do século XIX e início do XX, muitas crianças eram obrigadas a trabalhar. Com o tempo, a sociedade enxergou a necessidade de gerar garantias e proteções a elas, de modo a constituir seres humanos mais desenvolvidos e com mais qualidade de vida. Daí, foram criadas algumas normas — como o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Com os direitos garantidos, fica mais fácil introduzi-los na cultura, para que passemos às crianças em cada geração. E, nesse sentido, brincar não é uma atividade inata, conta-nos Maria Angela. É muito importante que a criançada aprenda a fazer isso, ao longo do tempo!

De acordo com a professora, é na brincadeira que há o pleno desenvolvimento cognitivo, afetivo, físico e emocional da criança. “É brincando que ela passa a conhecer o mundo em seu entorno”, completa. Logo, são essenciais todos os processos do brincar (imitação, repetição, simbolismo, regras).

Nesse sentido, qual o papel de uma brinquedoteca?

Seu papel primordial é promover um espaço lúdico, seguro e saudável. Contudo, a falta de acesso não deve ser encarada como algo preocupante. Afinal, “o espaço é importante, mas não garante que a criança brinque”, tranquiliza Maria Angela, que acredita que os momentos em que a família leva a criança para brincar são tão significativos quanto uma brinquedoteca.

De todo modo, uma brinquedoteca ajuda a estimular vínculos — afetivo, social, de confiança, emocional —, além de permitir o diálogo. Logo, é necessário pensar no objetivo do ambiente, para entender o tipo de demanda. Existem aquelas que comportam a meninada durante horas e aquelas que apenas emprestam materiais, por exemplo. E a idade das crianças também deve ser levada em conta, já que cada fase precisa de estímulos diferentes.

Muitos lugares costumam organizar o ambiente seguindo a proposta de desenvolvimento de Piaget, com brinquedos de imitação, de faz de conta, de regras sociais, de encaixe, de criatividade, entre outros. Contudo, segundo Maria Angela isso não é uma regra. O essencial é pensar em questões de segurança e bem-estar.

Por isso, vale investir em acesso à água e a banheiros dentro do espaço, além de evitar degraus, quinas e tomadas expostas. Uma boa iluminação, piso antiderrapante, prateleiras acessíveis e decorações coloridas também devem ser considerados.

Quais as melhores dicas para criar uma brinquedoteca?

Uma forma bacana de criar esse espaço é pensar na idade das crianças, separando cada canto de acordo com a faixa etária e com uma proposta.

Até 1 ano

Nessa fase, os bebês são muito estimulados pelos sentidos — cores, sons e texturas chamam atenção! É importante lembrar, ainda, que tudo é levado à boca. Assim, tenha cuidado com peças pequenas e pontiagudas. Boas ideias são:

De 1 a 2 anos

Aqui, a molecada já começa a dar os primeiros passos e ganha mais autonomia ao brincar. Portanto, invista em:

De 2 a 4 anos

Agora a energia aumenta! Assim, todo cuidado do monitor para evitar machucados é pouco. Como é uma fase importante para estimular a criatividade, bons itens são:

De 5 a 6 anos

A meninada ganha mais independência nessa fase e é iniciado o interesse pelas amizades. Sabe aquela algazarra durante a interação com outras crianças? Começa aqui! Então, considere:

De 7 a 9 anos

Dê boas-vindas à vida escolar, que começa a ficar mais difícil! Brincar se torna um momento ainda mais especial, pois ajuda a extravasar aquela energia acumulada. Ao mesmo tempo, itens que incentivam a leitura, a escrita e a atenção são recomendados. Então, tenha:

A partir de 10 anos

Nessa idade, aumenta o interesse pelo mundo digital e muitas crianças já têm seus dispositivos móveis e até mesmo “youtubers” preferidos. No entanto, ainda é importante trabalhar foco e atenção e estimular a inteligência com tarefas desafiantes. Tenha:

Quais são os tipos de brinquedotecas?

Podemos encontrar brinquedotecas em escolas, hospitais e comércios. No ambiente escolar, o uso costuma se restringir a um horário mais específico.

Já em hospitais, são necessários cuidados relativos à contaminação. Segundo a professora Maria Angela, algumas crianças em tratamento de doença infecto-contagiosa ou com imunidade baixa, por exemplo, não podem ter outros contatos e nem sair da cama para brincar, o que limita as atividades. Assim, para elas, devem existir quartos com brinquedos esterilizados.

De qualquer forma, uma brinquedoteca em hospital é essencial, pois ajuda a dar mais alegria e influencia positivamente no processo de recuperação. Já as comerciais costumam ser frequentadas por crianças mais privilegiadas em condições econômicas, pois costumam ser pagas.

As oportunidades são ainda maiores em locais como a Europa. Criança é criança em todo lugar e, lá, não é diferente! Na Holanda e na Bélgica, por exemplo, é comum disponibilizarem a brinquedoteca mesmo em períodos fora do horário escolar. Isso permite que os responsáveis levem a molecada a qualquer momento, ou peguem brinquedos emprestados.

Aqui no Brasil, como acabamos de falar, as coisas não são bem assim. A brinquedoteca paga restringe o acesso à grande parte da população. “Além disso, ainda existem preconceitos, pois até quem tem condições de gastar acha irrelevante pagar para brincar”, pontua Maria Angela.

Por fim, as brinquedotecas escolares não dão tanta liberdade para serem usadas em qualquer horário, restringindo um pouco seu uso, apenas nos períodos de aula. Quem pode investir, acaba montando um espaço particular em casa, que pode ser compartilhado pelas crianças da família, vizinhos e amiguinhos.

Qual o benefício da brinquedoteca para o crescimento da criança?

O espaço é seguro e todo propício ao desenvolvimento. Ajuda, por exemplo, no processo de criatividade, pois os jogos e brinquedos estimulam a fantasia. Há também o aprendizado do compartilhamento — ao brincar com outra criança, todos aprendem a ceder, a negociar, a dialogar, a perder, a seguir regras. “É, de fato, um treino para vida em sociedade”, ressalta a professora.

Nesses ambientes também podemos falar dos ganhos nas habilidades motoras. Ao andar, correr ou segurar objetos, a meninada ganha mobilidade e mais noção de espaço, o que não acontece se ficarem o dia inteiro sentados e concentrados em aparelhos eletrônicos. Não que estes sejam negativos: é que o equilíbrio é essencial!

O ato de brincar também pede uma interação com a família, algo tão importante quanto a disponibilização de uma brinquedoteca. Pais ou responsáveis que não dão atenção, por exemplo, podem ter problemas com os pequenos quando chegarem à adolescência ou à vida adulta.

Pensando nisso, Maria Angela adverte: “sei que a vida é corrida, mas sugiro que reservem 30 minutos do dia para brincar com suas crianças”. Assim, fica a lição — uma brinquedoteca é valiosa, mas não devemos nos restringir a ela para oportunizar bons momentos à meninada, combinado?

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