Ocitocina: conheça o hormônio do parto

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mãe segurando bebê recém-nascido representando o amor, estimulado pela ocitocina no parto

A ocitocina vem sendo celebrada pela mídia — com respaldo da ciência — como o hormônio do amor. Apesar do upgrade no seu status, ela já é conhecida há muito tempo por estar intimamente relacionada à gestação, pois é considerada o hormônio do parto.

Quer saber mais sobre essa substância essencial para o ser humano e por que ela é tão importante? Preparamos este artigo recheado de informações e de fácil leitura. Venha conferir!

O que é ocitocina?

A ocitocina foi descoberta em 1909 pelo farmacologista inglês Henry H. Dale como o hormônio protagonista do trabalho de parto. Ela é a responsável por estimular as contrações do útero no momento do nascimento do bebê. Além disso, a ocitocina é uma das responsáveis pela liberação do leite materno durante a amamentação.

A produção da ocitocina ocorre em uma área do cérebro chamada hipotálamo e é armazenada na parte posterior da glândula hipófise. A fama, porém, surgiu mais recentemente, depois de estudos indicarem que ela também é liberada quando estamos perto de uma pessoa por quem temos afeição, principalmente filhos e parceiros, proporcionando uma sensação de segurança e bem-estar.

Como a ocitocina age no organismo?

A liberação desse hormônio é bastante intrincada e envolve estímulos físicos, como toque, temperatura, cheiros, sons e até mesmo luz ambiente, isso sem contar sua delicada relação com os neurotransmissores que atuam no cérebro.

Achou tudo isso muito complexo? Ainda tem mais. Os aspectos psicológicos que envolvem as interações sociais e íntimas também são grandes influenciadores da disponibilidade de ocitocina no corpo. Quando liberada, ela reduz a ação do cortisol (hormônio do estresse), provocando uma sensação de bem-estar.

Quando esse hormônio é liberado?

Existem algumas situações em que a ocitocina é liberada de forma natural no corpo. As mais bem estudadas e documentadas são as que envolvem o parto, a amamentação e a relação sexual.

No trabalho de parto

Não é um consenso, mas a liberação do hormônio durante o trabalho de parto pode estar relacionada à pressão que a cabeça do bebê faz no colo do útero, após o encaixe, já no final da gestação. Esse estímulo envia sinais ao cérebro que são a chave para liberar a ocitocina.

O aumento de sua concentração no sangue, por sua vez, desencadeia as contrações. Os espasmos provocados pela movimentação da musculatura do útero aumentam a fricção da cabecinha na região pélvica, o que leva a um novo estímulo para que seja liberada mais uma quantidade do hormônio que aumentará as contrações. E assim sucessivamente, até que as contrações cheguem ao nível ideal para que a criança consiga nascer.

Ela costuma ser utilizada para induzir o trabalho de parto e regular possíveis alterações ou irregularidades nas contrações. Lembrando que esse procedimento só poderá ser prescrito por um médico e após uma avaliação criteriosa.

A substância também é responsável em reduzir o risco de hemorragia no pós-parto, justamente porque estimula a contração uterina depois que a placenta é retirada. Com tantas funções, não é à toa que ela é chamada de hormônio do parto, concorda?

Na amamentação

Um processo semelhante acontece nos seios durante a amamentação. A sucção do mamilo, o cheirinho do bebê e a visão do pequerrucho mamando também são responsáveis por enviar um sinal ao cérebro para que ele libere ocitocina, o que provoca a contração das glândulas mamárias e a consequente saída do leite.

Mas não é só isso. Nós já falamos que ela está relacionada à afeição e ao bem-estar, lembra? É nesse momento que ela provoca uma profunda sensação de prazer para a mãe, contribuindo inclusive para a redução dos níveis de cortisol, hormônio ligado ao estresse.

Uma versão sintética em forma de spray pode ser recomendada para mulheres que estejam com alguma dificuldade no processo de amamentação. Já sabe, não é? Sempre com orientação médica.

Na relação sexual

Em uma matéria da versão eletrônica da revista Marie Claire, a médica ginecologista do Ambulatório de Gênero e Sexualidades, Karine Schlüter, do Hospital de Clínicas da Unicamp, afirmou que esse hormônio ainda tem um papel importante na excitação sexual.

As sensações e estímulos provocados pelo contato físico entre o casal também enviam um sinal para o cérebro, acionando a liberação da substância em áreas responsáveis pela resposta sexual e pelo aumento do fluxo sanguíneo na região genital.

As concentrações de ocitocina podem aumentar consideravelmente após o orgasmo, sendo assim, uma das responsáveis pelo bem-estar pós sexo.

Quais são os benefícios da ocitocina?

Já sabíamos que um abraço gostoso pode ser um santo remédio para diversos males, concorda? Agora é possível compreender quem está por trás desse feito. Confira todos os benefícios desse hormônio:

  • facilita o parto normal;
  • reduz o risco de depressão pós-parto;
  • é essencial para a amamentação;
  • ajuda a criar afeto entre pais e filhos;
  • tem efeito calmante;
  • intensifica o prazer sexual;
  • aumenta a confiança;
  • facilita o sono.

Em que outros aspectos da nossa vida a ocitocina pode estar associada?

Se você achou que essa substância já tinha tarefas demais, ainda não viu nada. O economista e diretor do Centro de Neuroeconomia da Universidade Claremont, na Califórnia, Paul Zak, lançou, em 2016, um livro chamado “A molécula da moralidade”, e adivinhe quem é a protagonista de novo?

Você acertou: a ocitocina. Destrinchando um compilado de 10 anos de pesquisas científicas, ele afirma que o hormônio também influencia as boas relações sociais e a ética.

Um outro estudo, realizado pela UNESP, mostrou que ela pode ajudar a prevenir a osteoporose, se utilizada no período que antecede a menopausa. As pesquisas são promissoras, mas ainda só foram realizadas em laboratório. Os pesquisadores devem realizar futuramente estudos clínicos sobre o seu efeito em humanos.

Claro que muito ainda precisa ser feito para comprovar outros benefícios da ocitocina e investigar eventuais efeitos adversos que a substância poderia trazer para o nosso organismo. Mas o que está bem estudado e documentado já é suficiente para esse hormônio ser mais do que exaltado, concorda?

É normal ficar com dúvidas na gestação, especialmente em relação à chegada do bebê. Para saber mais sobre esse momento tão importante, convidamos você a ler esse artigo sobre os tipos de parto.

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