Entenda como lidar com a pandemia e a saúde emocional das crianças

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pandemia e a saúde emocional das crianças|pandemia e a saúde emocional das crianças
Família brinca de acampar no meio da sala

Pode ser uma expressão já meio batida para você, mas não podemos negar que esse tal “novo normal” está cansando todo mundo, não é mesmo? E, se para a gente já é um desafio enfrentar a situação, imagina como fica para a criançada, que fica sem entender direito o que estamos vivendo. Por isso, a gente precisa conversar sobre a pandemia e a saúde emocional das crianças.

Neste post, batemos um papo com Rafaela Mattos da Silva, psicóloga, Gestalt-terapeuta e Educadora Parental em Disciplina Positiva. Ela nos deu algumas dicas para lidarmos com a situação da melhor maneira. Vamos descobrir quais são?

Qual o impacto da pandemia na saúde emocional das crianças?

pandemia e a saúde emocional das crianças

Se, por acaso, você percebeu que a turminha ficou diferente, começou a ter mais birras, ou passou a fazer coisas que não eram do costume, saiba que isso é totalmente esperado. Segundo Rafaela, cada uma reage de um jeito totalmente diferente.

“Algumas crianças podem regredir, agindo como se fossem mais novas e demandando mais atenção. Outras demonstram insegurança, medo, irritação, inquietação. Há aquelas que manifestam a emoção por meio do físico, como uma dor de barriga. Todos esses novos sentimentos também mexem com o sono e a alimentação. Dependendo da personalidade, há as que apresentam comportamentos desafiadores”.

A explicação para isso é que os pequenos ainda estão na fase inicial do desenvolvimento emocional, o qual pode ser visto como uma escada, em que só avançamos com o amadurecimento do cérebro e as experiências de vida. Assim, não dá para esperar que a criança, que está no primeiro degrau, tenha a mesma reação de um adulto que está lá no último, concorda?

“Todas essas formas de reagir, mesmo que não saudáveis, são uma tentativa de se ajustar ao momento. Os comportamentos dizem que algo não vai bem. Como as crianças não sabem como pedir ajuda, demonstram dessa forma”, explica Rafaela.

A psicóloga também chama a atenção para o fato de que o contexto dentro de casa também influencia as emoções. “Ao pensarmos na pandemia e na saúde emocional das crianças, também é interessante vermos todo o contexto. Algumas famílias passaram por muitos problemas. Dificuldades financeiras, ter alguém como parte do grupo de risco, pessoas que adoeceram ou faleceram são situações que impactam e deixam uma sobrecarga diferente”.

Como os pais ajudam na saúde emocional infantil durante a pandemia?

Não existe aquela solução mágica que dá para ser aplicada em todos os casos. No entanto, Rafaela observa alguns pontos importantes. Confira!

Cuidar de si antes

Para ela, o primeiro passo é o adulto ser alguém que saiba olhar para essa situação e entender como tudo está diferente. “O que eu destaco é ter uma pessoa que seja empática, atenciosa e que saiba acolher as emoções da criança e impor limites com calma”, explica.

A psicóloga também acha interessante o adulto cuidador saber lidar com os próprios sentimentos. “Sempre gosto de chamar a atenção para isso. Como o adulto está lidando com as dificuldades presentes? Para ele dar o suporte, isso é importante”.

É claro que isso não significa que você não deve sentir nada, viu? Ansiedade ou impaciência, de vez em quando, são normais, pois a situação é nova para todos nós. O importante é manter o diálogo e dar acolhimento.

Criar uma rotina

Pode parecer estranho para alguns adultos, mas a verdade é que crianças, principalmente as menores, adoram uma rotina. Rafaela explica melhor: “crie uma rotina possível e que tenha alguma flexibilidade. É legal eleger prioridades, mas sem se cobrar demais. A rotina dá à criança previsibilidade e segurança, diminuindo a ansiedade e a irritabilidade”.

Filtrar as informações

Também é interessante ter cuidado com as informações que os pequenos consomem, afinal muitas notícias geram mais angústia. “Essas informações precisam ser adequadas à idade, pois isso ajuda a não fantasiarem a realidade. Ao mesmo tempo, é bom evitar o exagero para não se estressarem”.

Evitar o excesso de telas

Não podemos negar as vantagens da tecnologia para as crianças e para a gente, não é mesmo? Um joguinho no tablet diverte e distrai a meninada enquanto fazemos algo importante. Bem, as telas têm o lado positivo, mas não é legal abusar.

“Minha orientação é seguir as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, que oferece parâmetros conforme a idade. Contudo, também devemos adequar isso à nova realidade. É importante considerar todas as necessidades da família. Ao mesmo tempo, é importante a qualidade do conteúdo consumido. As crianças não têm maturidade para entender isso, então é papel do adulto”, ressalta Rafael.

Procurar ajuda se necessário

Uma ajuda profissional dá o apoio do qual a família precisa. Porém, é legal entender que enfrentar uma pequena desorganização nesse momento tem sido comum para quase todo mundo. “O mais indicado é observar os pequenos e notar como têm reagido. Se os comportamentos estiverem atrapalhando as relações, é importante procurar uma ajuda e relatar essas percepções”, aconselha Rafaela.

Ter momentos divertidos

Ninguém aguenta viver só de tensão. Então, mais uma dica é criar momentos divertidos, já que eles ajudam a trazer mais bem-estar. Por exemplo, quem está de aniversário pode fazer uma festa virtual. E, para tornar toda a família feliz, que tal algumas brincadeiras com todos juntos? Boas ideias são:

Como preparar as crianças para a volta às aulas no pós-pandemia?

Assim como no início da pandemia tivemos que conversar sobre coronavírus com as crianças, agora, com as escolas voltando às atividades, o diálogo também deve acontecer. Os pequenos precisam ser escutados e devemos saber o que eles sentem sobre isso. Para aumentar a confiança da família, também vale conversar com a escola e ficar por dentro das medidas protetivas.

“Outro aspecto é saber que algumas crianças precisarão trabalhar, de novo, o vínculo com a escola, com a professora e com os colegas. Essa readaptação exigirá paciência e acolhimento, evitando as cobranças”, previne a psicóloga.

Também é legal se lembrar de que todos precisaremos mudar a rotina. Será necessário ter mais organização com os horários. A hora de dormir é muito importante, já que o sono tem influência na saúde mental.

Por fim, Rafaela dá mais um conselho para lidar com a pandemia e a saúde emocional das crianças: “precisamos nos lembrar de que o maior aprendizado, nesse período, é o cuidado uns com outros. Dar acolhimento nos momentos difíceis e ter esperança de um mundo melhor faz a diferença e isso começa na infância.”

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