Timidez na infância: como apoiar e ajudar os filhos

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Até que ponto a timidez na infância pode significar um problema? Quem convive com crianças mais quietas já deve ter se feito essa pergunta, não é mesmo? 

Bem, antes de tudo, é importante saber: a timidez pode ter vários graus. E quanto mais cedo descobrir se a criança tende ao lado menos saudável, melhor, pois a infância é a melhor fase para conseguir as mudanças.

Sabemos que muitas famílias se preocupam com essa questão, por isso conversamos com Carolina Burd, que é pedagoga especialista em Psicopedagogia e tem capacitação em Neurociência. Você pode, inclusive, acompanhá-la pelas redes sociais: Instagram, Facebook e site profissional.

Vamos com a gente?

O que é timidez na infância, afinal? 

Timidez é um comportamento. Crianças tímidas são aquelas mais caladas, observadoras e retraídas diante de uma interação social. Por exemplo, são comedidas mesmo ao lado de coleguinhas já conhecidos e da mesma idade. E, muitas vezes, podem brincar sozinhas, esperando que o amigo tenha a iniciativa de chamá-las.

A timidez na infância pode aparecer em razão de um temperamento, que é a parte inata e genética da personalidade. Ou seja, filhos de pais tímidos têm tendência a serem também. Têm, ainda, a influência do próprio ambiente. Porém, pode ser só uma fase típica do desenvolvimento.

“Na primeira infância, a timidez é uma reação ao novo, ao desconhecido. A criança está começando a explorar o mundo à sua volta, saindo do convívio exclusivamente familiar. Ela está conhecendo novos ambientes e pessoas, entendendo como tudo isso funciona e se relaciona”, explica Carolina.

Até que ponto a timidez é saudável, então? E quando pode ser prejudicial?

Bem, se a timidez pode ser apenas uma fase ou, mesmo, um traço de personalidade, como conseguir identificar se está em um nível saudável?

Carolina explica, antes, o lado positivo da timidez: “preserva a criança do desconhecido e é um mecanismo de sobrevivência. Pode fazer com que ela pense: ‘quem é essa pessoa? Devo me aproximar?’. Ter essa capacidade de análise e reflexão é importante”.

Mas a timidez na infância pode ser um problema em alguns momentos, por exemplo, quando as crianças apresentam dificuldades em estabelecer vínculos com outras e quando demonstram emoções negativas diante de uma interação ou exposição social.

“Pais, professores e pessoas próximas devem ficar atentos aos sinais de que algo não vai bem”, alerta a psicopedagoga.

Alguns dos comportamentos são:

  • ter dificuldade em expressar o pensamento;
  • falar gaguejando ou apresentar mudez em contextos sociais;
  • não conseguir emitir uma opinião;
  • não ter amizades ou preferir sempre brincar sozinha, mesmo com outras crianças ao redor;
  • deixar de fazer algo que gosta por medo e insegurança;
  • apresentar choro, dor de barriga e enjoo diante da necessidade de se expor em uma situação.

A timidez pode atrapalhar o desenvolvimento?

Sim. Dependendo da gravidade, a timidez na infância pode prejudicar o desempenho escolar, a relação com os colegas e o desenvolvimento cognitivo em diversos aspectos, como autoestima, inteligência emocional e a aquisição de habilidades.

“A timidez atrapalha quando a meninada deixa de fazer coisas, viver experiências, se impor e se expressar por medo do que pode acontecer. A característica exagerada pode levar à dificuldade de aprendizagem ou, ainda, uma autocobrança perfeccionista”, completa Carolina. 

Como ajudar uma criança tímida?

Antes de tudo, é legal ter em mente que só é necessário intervir se a timidez parecer prejudicial, ok? “Nem todo mundo gosta de se expor, de falar em público, de conversar com todo mundo e tudo bem. Faz parte da personalidade de cada um e isso precisa ser respeitado”, explica a psicopedagoga.

Faça pequenos estímulos

Os cuidadores são a referência para a criançada, então podem ajudar a transmitir segurança. “Eles podem intermediar a relação da criança com outras. Chegou ao parquinho? Em vez de se sentar e deixar o filho sozinho, seja uma ponte para ele brincar e conversar”, indica Carolina. 

Dê escuta

A família também precisa possibilitar um espaço para a escuta. “A criança precisa sentir segurança para falar sobre medos e problemas. Os pais precisam ouvir sem interromper, sem reprimir ou minimizar a dificuldade dela. Deve haver esse espaço de acolhimento”, explica a psicopedagoga.

Não coloque rótulos

O modo como os adultos se referem às crianças pode fazer com que se sintam inseguras e se vejam pouco capazes. “Dizer que a criança é tímida e que tem vergonha, principalmente na presença dela, não colabora para ela se sentir mais à vontade”, explica Carolina.

Não force nada

Também é importante não forçar alguma situação, obrigando a criança a fazer algo que não queira. A paciência é necessária, assim como o respeito ao espaço e ao tempo dela.

Como brincadeiras e jogos podem ajudar com a timidez na infância?

Como falamos lá no começo, a infância é o momento mais propício para diminuir possibilidades de transtornos e, também, para estimular a autoconfiança e o desenvolvimento saudável. Jogos e brincadeiras são ótimos recursos, então. Entenda suas vantagens!

Facilitam a autoexpressão

“No faz de conta, por exemplo, a criança pode assumir outros papéis e vivenciar situações que ‘na vida real’ não teria coragem de viver. Então, de forma lúdica, ela consegue expor seus medos, suas aflições, elaborar essas sensações e sentimentos internamente e aprender a lidar melhor com eles”, esclarece Carolina.

Quer outra dica bacana? A música na infância! Ela proporciona ganhos em vários sentidos, inclusive na forma de a meninada se expressar. Danças ou aulas de instrumentos musicais são bons começos.

Promovem a socialização

São formas de a criançada interagir e diminuir a ansiedade com o contato social, já que tudo se torna divertido. Por exemplo, que tal propor um jogo de quebra-cabeças ou de blocos de montar?

“Jogos do tipo ‘Imagem e Ação’, em que uma pessoa precisa fazer desenho ou mímicas para outras adivinharem, também são ótimos. Outra opção é a brincadeira ‘Eu Sou’, em que um escolhe a carta com o nome de um personagem, coloca na testa sem saber quem é, enquanto os outros participantes dão dicas para ele adivinhar”, recomenda a psicopedagoga.

E quando contar com um profissional?

A ajuda profissional é necessária quando a família nota que, mesmo com o crescimento da criança e os estímulos que recebe, ela ainda apresenta dificuldades ou prejuízos. A timidez nem sempre é simples de ser superada sem apoio profissional. 

“Quando é assim, um psicólogo pode trabalhar no sentido de desenvolver habilidades sociais e de promover a autoestima. Já um psicopedagogo pode tratar os danos causados, como uma dificuldade de aprendizagem”, explica Carolina.

Então, que fique claro: a timidez na infância pode ser saudável em certo aspecto. A partir do momento em que a criança deixa de aproveitar as brincadeiras e parece muito receosa na relação com os coleguinhas, pode caber uma avaliação de um especialista, combinado?

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