A evolução das brincadeiras e dos brinquedos ao longo dos anos até os dias de hoje

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Já parou para pensar no quanto a forma de se divertir se transformou nos últimos tempos?

Voltando aos anos 60 e 70, podemos nos lembrar de muitas brincadeiras simples, sem tantos recursos, mas que nem por isso deixavam de alegrar a criançada. 

Já nos anos 80 e 90, algumas coisas mudaram. Ainda tínhamos brincadeiras nas ruas, mas os eletrônicos começavam a bater na porta. Quem não se lembra do clássico Genius?

Hoje, em um mundo mais digital, os brinquedos são bem mais complexos. As crianças brincam com tecnologia, de forma tão articulada, que surpreende muitos dos adultos.

Neste e-book, você entenderá melhor essa passagem ao longo do tempo e descobrirá por que algumas preferências deixaram de existir.

Boa leitura! 

As principais e diferentes gerações

Cada um de nós é singular. Nossas personalidades são multideterminadas, sendo, assim, influenciadas por diversos aspectos. Um deles é o contexto histórico e social da época em que nascemos e que nos classifica em alguma geração.

Ao longo do século, existiram várias gerações, classificadas pelos sociólogos de acordo com acontecimentos e repercussões. As características de cada uma delas explicam nossos interesses, pensamentos e escolhas, que são revelados em muitos momentos, inclusive na hora da brincadeira.

Conheça algumas delas, a seguir!

Baby Boomers

São os nascidos entre 1940 e 1960. Na história, compreende o período pós-Segunda Gerra Mundial, o plano político de JK “50 anos em 5” e a Tropicália. 

Mas como isso impactou todos? Para quem vivenciou tudo isso, foi um tempo de esperança e positividade. A geração acabou se tornando idealista e com espírito coletivo. 

Ao mesmo tempo, as grandes promessas de estabilidade fizeram com que ela se tornasse um propósito a ser seguido. Dessa forma, muitos se tornaram relutantes a mudanças rápidas, como a que acontece com a tecnologia.

Geração X

São os nascidos entre 1960 e 1980. Guardam particularidades parecidas com as da geração anterior, como busca por estabilidade.

Foram crianças e adolescentes que cresceram durante a Gerra Fria e a Ditadura Militar. Isso despontou neles um certo respeito a hierarquias. Muitos desses adultos hoje sentem dificuldade para entender por que a educação das crianças ganhou tanta flexibilidade.

Esse contexto de guerra e autoritarismo também contribui para a perda do otimismo e criou uma personalidade mais individualista e competitiva.

Geração Y

Também chamados de Millennials, são as pessoas nascidas entre 1980 e 1995. Os mais antigos ainda conheceram um mundo sem internet, por isso aproveitaram muitas das brincadeiras das gerações anteriores. 

Cresceram em um contexto pós-Ditadura Militar e presenciaram anos de instabilidade econômica e política, até a chegada do Plano Real. Isso os tornou mais flexíveis e tolerantes, características que se refletem tanto na forma de educar quanto na receptividade com a tecnologia.

Geração Z

Representa os nascidos entre 1995 a 2010. Com a tecnologia mais avançada, já vieram ao mundo, praticamente, com um celular na mão. 

Por terem chegado em um contexto no qual a internet já era comum, conseguem lidar com as redes sociais melhor que os Millennials. Têm um olhar crítico para muita exposição e enxergam como tudo isso pode afetar a saúde mental.

Geração Alpha

É a geração mais atual e representa as crianças nascidas a partir de 2010. A agilidade mental delas para lidar com recursos tecnológicos e inteligência artificial é ainda mais alta que nas gerações anteriores.

Atualmente, crescem em um ambiente de grande instabilidade econômica e política, além do extremismo ideológico. Ainda é cedo para fazer previsões, mas tudo indica que consigam lidar ainda melhor com rápidas mudanças. A naturalidade na relação com máquinas é outra característica esperada.

A evolução dos brinquedos ao longo dos anos

Ufa! Quantas diferenças nos perfis de cada geração! E são elas que fazem cada um (avós, avôs, tias, tios, mães, pais, adolescentes e crianças) terem opiniões tão diferentes sobre o que é uma brincadeira divertida

Que tal, agora, nos lembrarmos dos melhores brinquedos e brincadeiras que marcaram cada tempo?

Brinquedos e brincadeiras dos anos 60 e 70

Na época em que Baby Boomers e Geração X eram pequenos, os brinquedos eram muito mais simples que hoje. Qualquer coisa virava brincadeira, e até chuva era sinal de diversão! Soltar barquinhos de papel nas correntezas ou poças d’água, andar de bicicleta e sentir a chuva bater no rosto… tudo provocava uma gostosa sensação!

E engana-se quem pensa que os dias de sol eram diferentes. Subir em árvores, pegar fruta do pomar do vizinho, tocar a campainha e sair correndo foram responsáveis por muita adrenalina e alguns joelhos ralados. 

Olhando bem para esse passado, fica claro perceber o quanto foram crianças felizes, mesmo com pouco, não é? Essa simplicidade se refletia não só na forma de brincar, mas também nos próprios brinquedos. Muitos eram confeccionados em casa!

Além do mais, grande parte das brincadeiras eram manuais e coletivas. Vamos relembrar algumas?

Amarelinha

Brincar de amarelinha era muito comum nessa época. E bastavam um pedaço de giz e uma pedrinha para a diversão começar! Depois, tudo ficava por conta da concentração e do equilíbrio, ao pular alternando os pés.  

Bola

De todas as cores e tamanhos, provavelmente, a bola sempre foi um dos brinquedos mais interessantes. As possibilidades de brincadeiras eram inúmeras, como futebol, vôlei, queimada, bobinho e 7 pecados.

Carrinho de rolimã

Grande parte da meninada montava o seu. Era preciso conseguir 4 rolamentos, uma tábua servindo de chassi e assento, um pedaço de madeira e borracha (que serviam como freio) e um arame (que servia como volante). Era perigoso. Mas quem ligava para isso, se a sensação de descer ladeiras era única?

Pião

Mesmo quem não tinha condições de comprar um de verdade, arrumava um jeito. Era só pegar um galho forte e colocar um prego afiado e pontiagudo na ponta. Destreza, habilidade e um pouco de treino ajudavam a dar aquele show! Os mais fanáticos e malabaristas até entravam em torneios.

Pipa

Ela animava as tardes ensolaradas. Bastava juntar alguns galhos, barbante e papel de seda colorido. A criatividade, nessa hora, ajudava a criar a pipa de deixar o bairro todo com inveja.

Pique-pega

Quem nunca brincou de pique-pega na rua não conhece a mistura de sensações que a diversão causava! Além de correr rápido, era necessário ter estratégias para não ser pego. Uma verdadeira emoção!

Boneca Susi

Outra grande sensação era a boneca Susi, lançada no Brasil em 1966. Encantava muitas meninas, pela delicadeza nos traços e as roupas da moda.

Passa anel

A diversão era passar, disfarçadamente, o anel a alguém. O participante da vez tinha que adivinhar com quem ele estava. Era preciso ter muita atenção!

Brinquedos e brincadeiras dos anos 80 e 90

Tudo indica que podemos chamar essas crianças de sobreviventes! Quem, nessa época, nunca viajou no carro sem cinto de segurança? Ou passeou no bagageiro, com os pés para fora? 

Protetor solar era luxo. Suco artificial em pó era o máximo nas refeições. Passar o dia inteiro na rua era habitual. Braço engessado e dente quebrado eram normais. TVs nem tinham controle remoto. 

E as festinhas de aniversário? A curtição já começava nos preparativos! Elas eram feitas em casa, com direito a muitas brincadeiras, ao som de Turma do Balão Mágico, Xuxa e Trem da Alegria!

Gênius

O Gênius foi lançado em 1980 e considerado o primeiro jogo eletrônico no Brasil. Tinha formato de um ovni e botões coloridos, que acendiam luzes e emitiam sons. O objetivo era memorizar a sequência e repetir o processo, sem errar.

Boneca Barbie

A Barbie é um pouco mais antiga, mas foi nos anos 80 que fez muito sucesso por aqui. As meninas adoravam reunir as amigas e passar horas entretidas. O sonho de muitas era ter todo o universo mágico dela: casa, carro, piscina e o que mais fosse possível.

Games

Os anos 80 também nos apresentaram vários games que marcaram a história! Tivemos o Atari, com o seu inesquecível joystick e o jogo do Pac-Man. O Nintendo também se destacou e nos apresentou Super Mario Bros. e Donkey Kong. 

Só tinha algo que atrapalhava a diversão: os famosos tilts. Mas isso era facilmente resolvido com uma assoprada no cartucho!

Mais tarde, em meados dos anos 90, o Game Boy chegou e também conquistou vários corações.

Pogobol

Ele causou machucados na canela e levou muitas crianças ao dentista. Mas era muito divertido tentar se equilibrar e sair pulando! Sem contar que a brincadeira era uma forma diferente de praticar exercícios.

Molas coloridas

A mola maluca reinava nas estantes de todas as crianças dos anos 80 e 90. Uma das diversões mais legais era fazer disputa com os amigos, em longas escadarias, para ver qual descia primeiro.

Elástico

Tão simples, mas fazia a alegria de muitas garotas! Precisava apenas de duas pessoas para segurá-lo e uma terceira para pular. Mas tudo ficava mais legal, mesmo, com uma turminha grande. O segredo era ter destreza para não tropeçar.

Fluffy

Outro clássico, o Fluffy era uma espécie de borracha peluda. Brincar como se fosse um ioiô, jogando para cima e para baixo, era um barato! Também dava para inventar jogos com os amigos. A queimada era um dos mais comuns. 

Tamagotchi

Um brinquedo super inovador dos anos 90, o tamagotchi levou muitas crianças ao vício! A empolgação de cuidar de um bichinho virtual, que tinha necessidades parecidas com as de um pet, fazia muitas se dedicarem aos cuidados.

A influência da tecnologia nos brinquedos atuais

Tablets, smartphones e games de última geração. No lugar do choro por causa de um machucado, é a frustração pelo Wi-Fi que não conecta. Em vez de gritarias por causa do pique-pega, a diversão é gravar lives ou vídeos para o YouTube. Como os anos mudaram!

Sentimentos saudosistas por um passado tão simples são comuns nos adultos de hoje. Mas, como dizia Camões, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Com tanta tecnologia à disposição, é natural que as crianças atuais a enxerguem com naturalidade e a acrescentem em suas brincadeiras. 

Além disso, se antes a simplicidade predominava nas diversões, agora os brinquedos surpreendem um pouco mais e são mais próximos da realidade!

4.1. Bonecas e bonecos modernos

Antes, as bonecas tinham enchimento de pano. Hoje, algumas até imitam a pele humana, assemelhando-se a um bebê real. A Reborn é um exemplo. Muitos dos bonecos representam influenciadores, como o Luccas Neto. Por ser admirado pela meninada, o brinquedo faz muito sucesso.

Novos videogames 

Os antigos vinham com controles simples e jogos de 8 bits. Hoje, os personagens são realísticos e provocam mais engajamento. Além disso, os sensores de movimentos presentes no Wii, no Playstation Move e no Kinect, do Xbox One, deixam tudo ainda mais divertido.

Jogos clássicos mais realistas

Alguns jogos foram repaginados. O Banco Imobiliário moderno, por exemplo, vem com maquinha de cartão de crédito. Muitos deles também contam com aplicativos, a exemplo do Imagem e Ação.

As mudanças sempre podem ser benéficas

A dúvida que não cala: expor as crianças a tanta tecnologia é ruim?  

Bem, desde que haja equilíbrio nisso, está tudo tranquilo. Já estamos em outra época, e fugir totalmente do mundo digital é quase impossível

Esses brinquedos têm muitas vantagens e também estimulam a meninada. Jogos eletrônicos, por exemplo, incentivam o raciocínio estratégico e a concentração. Brinquedos mais realísticos contribuem para uma imaginação rica.

Contudo, fica o alerta. A tecnologia não dá conta de suprir todas as necessidades no desenvolvimento infantil. Então, é importante que as crianças ainda tenham contato com brinquedos mais tradicionais.

Brincadeiras antigas, bola e jogos de tabuleiro comuns contribuem para a sociabilidade, o aumento da empatia e a tolerância à frustração. Massinhas, slimes e fantasias são excelentes formas de incentivar a criatividade. Quebra-cabeça e jogo da memória colaboram para o raciocínio lógico.

Mudamos muito e, pelo que tudo indica, ainda viveremos em um mundo com mais interação da tecnologia. Brincadeiras envolvendo inteligência artificial, realidade aumentada e realidade virtual serão bem comuns nos próximos anos.

Porém, é legal ter em mente que as crianças sempre precisão de interação humana. É importante o incentivo para se relacionarem com a vida real. E é papel dos adultos, como responsáveis por seu crescimento, proverem isso.

Conclusão

Brincar é e sempre foi uma necessidade. Contudo, nem sempre as brincadeiras foram as mesmas, ao longo das gerações.

Como você percebeu na leitura, muitos fatores contribuíram para isso, e o avanço da tecnologia teve uma influência significativa.

Apesar de as gerações mais novas terem outras preferências, não deixam de ser crianças que merecem atenção especial. E os adultos precisam proporcionar a elas momentos e brinquedos que ajudem a contribuir com um desenvolvimento mais pleno.

Afinal, com um mundo tão rico de diversão, não faz sentido ficar apenas nos eletrônicos, não acha?

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