Os brinquedos que ajudam em cada fase do desenvolvimento infantil

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Brincar! De correr ou de dançar, com jogos ou com slime, usando a criatividade ou a lógica. Cada brincadeira traz um tantão de aprendizado, não é mera distração, sabia? Uma brincadeira é constituída por estímulos diversos e todos eles contribuem com o desenvolvimento infantil.

Uma criança que recebe os impulsos adequados tem mais potencial para evoluir nos aspectos emocional, cognitivo, social e motor. Ela se desenvolve como um adulto mais inteligente, criativo e bem preparado para lidar com os desafios da vida.

Mas será que basta deixar a criança solta, para que ela mesma decida e descubra as brincadeiras mais propícias? Bem, essa liberdade é importante e tem seu valor. No entanto, para estímulos mais ricos, nós precisamos dar uma mãozinha. Precisamos facilitar esse caminho.

Uma forma de fazer isso é disponibilizar os brinquedos mais favoráveis para a aquisição de habilidades importantes. Para ajudar você nesse aspecto, reunimos várias ideias! Elas são baseadas nos estágios de desenvolvimento infantil propostos por Piaget — o que é ótimo, não acha? Você não pode perder!

Conheça as quatro fases do desenvolvimento infantil

Jean Piaget é uma das maiores referências, quando o assunto é desenvolvimento infantil. Sua teoria envolveu anos de estudos e observações em crianças, até que chegou ao entendimento de que todo mundo passa por quatro principais fases de amadurecimento cognitivo.

Elas estão relacionadas ao aperfeiçoamento da organização mental e ao modo como os pequenos lidam com o ambiente. Quando adquirem novas formas de compreender a realidade, a estruturação mental é modificada.

Para Piaget, o pensamento é um dos aspectos centrais para a maturação e, em cada idade, ele se organiza de maneira específica. Para atingir seu potencial, precisa de estímulos externos.

Os estágios, assim, reúnem os ganhos e os marcos no crescimento. Contudo, as idades são apenas referências. Ou seja, um guia para termos noção do amadurecimento dos pequenos e de como podemos ajudá-los a se desenvolver melhor.

Assim, vamos combinar uma coisa: ao perceber que a criança ainda não se encontra nela, respeite suas limitações. Isso evita estresses e pressões desnecessárias, está bem?

A seguir, explicaremos melhor cada fase e daremos algumas dicas de brinquedos que ajudam no desenvolvimento cognitivo!

De 0 a 2 anos: brinquedos para a fase sensório-motor

Essa etapa tem foco na descoberta das sensações e dos movimentos. Nos primeiros meses, os gestos são reflexos, ou seja, involuntários. A partir do momento em que o bebê descobre que cada movimento gera um efeito, ele passa a ter comportamentos direcionados a determinados objetivos.

Quer um exemplo? Ele nasce com o reflexo de sucção, algo instintivo, que o ajuda a se alimentar. Ao levar um brinquedo à boca, emite essa ação. Com o tempo, percebe que fazendo isso descobre texturas interessantes — ou alivia a dor de um dente nascendo. Então, passa a fazer isso intencionalmente.

Por volta de 1 ano, ele adora observar as reações de determinadas ações. Se achá-las interessantes, passa a repetir o comportamento, propositalmente, inúmeras vezes. Por exemplo, pode jogar um brinquedo no chão e novamente fazer isso todas as vezes em que o adulto der a ele o objeto de volta.

Por mais que isso pareça bobo para nós, é importante deixá-lo à vontade nesse loopinginfinito. É divertido para ele e é assim que ele começa a descobrir o mundo.

Outra característica notável nesse estágio é a falta da noção de permanência do objeto. Tudo aquilo que não faz parte do seu campo visual, não existe. É por isso que alguns choram bastante quando a mãe se ausenta.

Ah! Essa particularidade também faz com que aquela brincadeira do “cadê o bebê?” seja tão envolvente! Assim, sempre que tiver um tempinho, passe alguns minutos brincando dessa forma.

Piaget defendia que a inteligência já nasce nessa etapa. Assim, é importante estimular tudo relacionado aos cinco sentidos. Ótimos brinquedos são os seguintes:

Aproveite os primeiros meses para começar a construir uma relação com o bebê. As interações do adulto, com brincadeiras e risadas, contribuem para seu desenvolvimento emocional. Apresente os brinquedos e ensine como manuseá-los. Por exemplo, se houver um móbile no berço, faça-o se movimentar e deixe que a criança veja.

Nossa dica é dar preferência por brinquedos macios e bem coloridos! Além de evitar machucar o bebê, estimulam a atenção, fazendo com que ele tenha interesse na brincadeira. E como conselho nunca é demais, anote mais esse: cuidado com peças que possam engolidas!

De 2 a 7 anos: brinquedos para a fase pré-operatório

Com os ganhos da fase anterior, os pequenos chegam aqui com a linguagem mais desenvolvida. Aos poucos, começam a formar os esquemas simbólicos, que se resumem na capacidade de pensar nos objetos e nas pessoas ausentes. Isso contribui para o desenvolvimento da imaginação.

Por volta dos 4 anos, a criatividade está a mil! Podem brincar com objetos diversos e os transformarem no que quiserem. O lápis, por exemplo, pode muito bem fazer papel de uma pessoa. A régua pode se transformar em um carrinho.

Também é comum atribuírem características humanas às coisas. Já ouviu a criança falar que a boneca está com sono? Ou que o ursinho está dodói? Os pequenos fazem isso para representar situações da sua vida nas brincadeiras.

Outra particularidade é criar monólogos enquanto brincam. Narram o que estão fazendo, o que costuma ser bastante engraçadinho! É importante não repreender os pequenos quanto a isso, está bem? Essa é uma forma de eles assimilarem melhor os esquemas verbais recém-adquiridos e, assim, preparar o sistema cognitivo para as próximas aquisições.

Na metade dessa fase, também percebemos um pouco mais de interesse na socialização com outras crianças da mesma faixa etária. No entanto, a interação social ainda não é rica. Fazem coisas juntas e brincam lado a lado. Mas, geralmente, de forma individual.

Além disso, sentem dificuldade de considerar a outra pessoa como alguém detentor de sentimentos e vontades diferentes das suas. A criança pode, verdadeiramente, não entender quando o adulto diz que precisa descansar um pouco, antes de brincar com ela, por exemplo. Portanto, se houver birras, o jeito é ter paciência!

Nesse estágio, é importante estimular a criatividade e começar a trabalhar a empatia. Os melhores brinquedos para isso são:

Ao brincar junto da criança, tente entrar na imaginação dela! Ela quer se fantasiar de princesa? Ótimo! Trate-a como se fosse realmente uma e encare um personagem também. Passeiem pelo castelo e se divirtam por um tempo.

Já na brincadeira com bonecas e bonecos, quando surgir a oportunidade de a criança dar a eles um sentimento humano, aproveite para explorar mais isso. Pergunte um pouco sobre essa emoção e incentive o comportamento de empatia. 

Agora a brincadeira é com massinha? Proponha criarem coisas! Uma ideia é fazer pequenos concursos para ver quem consegue moldar algo mais diferente e bonito.

De 8 a 12 anos: brinquedos para a fase operatório concreto

Os conhecimentos adquiridos na fase anterior são transformados em esquemas conceituais. Agora, a criança já está mais preparada para aplicar os princípios da lógica. Contudo, ainda depende da existência dos objetos no mundo exterior. Por exemplo, consegue realizar raciocínios e resolver problemas matemáticos mais profundos, mas precisa ver os objetos e tocá-los, para isso. 

Essa flexibilidade mental permite entender melhor as regras de jogos mais difíceis. Então, que tal incentivar mais ainda jogos de tabuleiro? Dê as diretrizes e ensine as proibições.

É bacana que os pequenos consigam seguir isso, sem tentativas de mudar regras para autobeneficiamento, está bem? Isso fará com que se tornem pessoas mais respeitosas futuramente.

Uma característica marcante, aqui, é a diminuição do egocentrismo. Aos poucos, começam a se dar conta de que os outros podem ter sentimentos e vontades diferentes. Agora, a necessidade de amizades aumenta. Sabe a fase de querer dormir na casa do amiguinho ou de trazê-lo para a nossa? Pois então! 

Como já estão um pouco desenvolvidos, essa fase é ótima para trabalhar várias habilidades: empatia, concentração e raciocínio lógicosão bons exemplos (ah! com relação a essa última, depois confira no blog um artigo bem legal sobre ela!). Motivar o contato com outras crianças também é muito bom, principalmente para os mais tímidos. 

Outra coisa legal é incentivar as atividades físicas, já que, agora, a criançada começa a externalizar suas preferências. A coordenação motora delas agradece! Além disso, é bom, inclusive, para manter a saúde física e mental em dia. Ótimos brinquedos são:

Uma dica: em jogos, tente perceber se a criança tem dificuldade para saber perder. Essa fase é bastante propícia para que ela aprenda que nem sempre pode ganhar tudo. Sabe aquela história de aprender a lidar com a frustração? Incentive isso. 

Ah! E ao comprar um jogo de tabuleiro ou um lego, por exemplo, preste atenção na faixa etária. É importante que esteja dentro do recomendado. Algo muito fácil não será divertido — e aquilo muito difícil não será tão envolvente.

A partir de 12 anos: brinquedos para a fase operatório formal

Nesse estágio, inicia-se a formação do pensamento abstrato. A criança é capaz de pensar em situações hipotéticas, fazer deduções e realizar operações mentais, seguindo os princípios da lógica formal.

Com o pensamento ainda mais flexível que na fase anterior, ela também tem mais facilidade para fazer análises críticas e propor soluções. É um bom momento para conversar sobre problemas do mundo e incentivá-la a pensar em maneiras de torná-lo mais justo.

Com o início da adolescência, há a busca por uma identidade e o aumento da autonomia. Olado social, agora, está bem mais intenso que antes, o que costuma provocar certa angústia em pais ou avós, ao perceberem que amigos parecem ser mais interessantes que a própria família.

Mas saiba que esse aspecto de supervalorizar a amizade é necessário para o contínuo amadurecimento. Durante a infância, a família mais próxima era o maior exemplo.

Agora, os adolescentes precisam de referências diferentes, para se redescobrirem. Além disso, com os colegas passando pelas mesmas angústias (fim da infância, mudanças no corpo, transformação nos interesses), isso os aproxima ainda mais.

Assim, tente entender essas necessidades. Contudo,não deixe de colocar limites e regras. Apesar de já estarem grandes, ainda precisam de acompanhamento, orientação e apoio emocional.

Os brinquedos, aqui, são mais complexos, o que pode atrair, também, muitos adultos. Os ideais são aqueles capazes de estimular o raciocínio estratégico, a tomada de decisão e a habilidade de foco. Atividades lúdicas que busquem o aumento do autoconhecimento e da autoestima também são bem-vindas. Considere os seguintes:

E atenção! Não é porque cresceram que não precisam mais dos momentos de brincadeiras com a família, viu? Aliás, por essa ser uma fase delicada, a aproximação dos adultos é muito importante. Tente entrar no mundinho deles e aprenda, por exemplo, como jogar aquele novo game no Xbox ou no Playstation

Outra boa ideia é pegar aqueles brinquedos da infância e fazer uma doação. Estimule a criança ou o adolescente a separar aqueles que estão de lado. Se possível, levem juntos a uma creche.

Lembre-se de que nosso papel, como responsáveis, é não apenas suprir necessidades, mas também, ajudar a transformá-los em pessoas maduras, com bons valores e com mais consciência sobre a vida.

Conclusão

O brincar é uma das atividades mais importantes na vida das crianças. É por meio das brincadeiras que elas recebem os estímulos necessários para se desenvolver em aspectos como o cognitivo, o motor, o emocional e o social.

Piaget, como um grande psicólogo e estudioso do desenvolvimento infantil, defendia a necessidade de disponibilizarmos a elas um ambiente rico, com estímulos eficientes, no qual pudessem interagir e crescer.

O brinquedo é um meio que favorece a evolução e o amadurecimento do ser, sendo de grande importância em todas as idades. Assim, não deixe de fazer sua parte e contribuir para que se transformem em adultos saudáveis, combinado?

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