Como falar sobre deficiência e inclusão com as crianças?

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Deficiência e inclusão|
Menino em cadeira de rodas conversa com outras crianças

Crianças são curiosas por natureza. Cheias de perguntas, vivem nos enchendo de porquês. Assim, é natural que, diante de uma pessoa diferente, nos façam perguntas inesperadas. Cabe a nós adultos responder às dúvidas e ajudá-las a criar conscientização.

Falar sobre deficiência e inclusão pode ser um desafio para muitos de nós. Pensando nisso, batemos um papo com duas especialistas no assunto. Eliana Cunha é professora e doutora, além de Coordenadora de Educação Inclusiva da Fundação Dorina Nowill para Cegos.

Diana Negrão Cavalcanti é coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Diversidade e Inclusão da Universidade Federal Fluminense (RJ) e vice-presidente da Associação Caminho Azul.

Vamos?

Por que é importante falar sobre deficiência e inclusão com as crianças?

Falar sobre diversidade é uma das pautas mais relevantes atualmente, já que cada vez mais o mundo se dá conta da necessidade de abrir os braços para o diferente.

A cor da pele, a forma de falar, a deficiência auditiva, o fato de não enxergar ou de precisar de cadeira de rodas, por exemplo, são peculiaridades com as quais todos nós devemos conviver, sem preconceitos, nem julgamentos.

Eliana Cunha ressalta a importância de promover o conhecimento das diferenças: “desse modo, valorizamos as características de cada um, fazendo com que os ambientes sociais, culturais e educacionais sejam permeados por uma convivência com cooperação mútua”.

“Quanto mais cedo ensinamos que a diferença é normal e que todas as pessoas apresentam potencial, mais estaremos próximos de uma sociedade melhor. A discriminação e preconceito não se instalam onde existe conhecimento”, destaca Diana Negrão Cavalcanti.

7 dicas para falar sobre deficiência e inclusão com as crianças

Quer dicas para conversar sobre deficiência e inclusão com a meninada? Separamos algumas ideias que podem ajudar nesse momento!

1. Entenda as curiosidades típicas da fase

Os pequenos são bons observadores e podem ficar com olhos curiosos ao repararem em algo que se apresente incomum à convivência deles. As perguntas podem deixar os adultos embaraçados ou sem respostas. No entanto, é legal ter em mente: a criança só quer entender.

“Em todas as situações, as crianças devem obter respostas respeitosas, que valorizem a diversidade humana e incentivem o convívio entre todos. É fundamental ouvir com atenção os questionamentos e mostrar que as diferenças existem e fazem parte do ser humano”, considera Eliana.

2. Busque a interação

O questionamento surgiu na frente de alguma pessoa com deficiência? Para Diana, em situações semelhantes, pode ser positivo tentar uma interação entre a pessoa e a criança.

“É possível pedir à própria pessoa com deficiência para responder. Temos o mau hábito de tentar fazer as coisas por alguém que apresente dificuldades específicas, acreditando que ela não é capaz. Mas deixar a conversa entre os dois fluir pode até nos surpreender de forma positiva”.

3. Aja com naturalidade

Agir com naturalidade, sem demonstrar surpresas ou fazer os pequenos se sentirem mal pela pergunta: essa é a orientação dos profissionais. Mostrar abertura para conversar sobre o tema é sempre a melhor saída.

“Nós adultos devemos apresentar as qualidades das pessoas, além das possíveis dificuldades com as quais convivam. Assim, criamos a noção de cooperação e empatia”, aponta Diana.

4. Explique o conceito de preconceito

Falar de deficiência e inclusão demanda explicar conceitos relacionados, como o de preconceito. Diana sugere fazer isso de forma lúdica, usando exemplos que facilitem o entendimento. Fazendo isso desde cedo, criamos crianças mais conscientes e antenadas, capazes de agir com mais empatia e altruísmo.

5. Incentive o convívio

Na escola ou no parquinho perto de casa: será que é possível se deparar com crianças com deficiência, por exemplo? Incentivar as brincadeiras é uma boa forma de fazer os pequenos enxergarem naturalidade no convívio.

“Isso promove a troca de experiências. É interessante, então, que os adultos conheçam as peculiaridades de cada condição no que diz respeito às limitações. Ajudar a adaptar jogos e brincadeiras, para possibilitar a participação, é uma forma de educar o olhar para o outro. Além disso, é possível que as crianças desenvolvam sentimentos recíprocos, com laços de amizade”, explica Eliana.

Por exemplo, sabia que existem brinquedos adaptados para paralisia cerebral? Da mesma forma, crianças com deficiência visual podem apresentar mais facilidade com determinados jogos.

E se a outra criança parecer precisar de alguma ajuda durante as diversões? Como proceder? Diana orienta que “devemos ensinar as crianças a ajudar qualquer um que precise de ajuda, sendo uma pessoa com deficiência ou não. Vale perguntar: posso te ajudar?”

Eliana reforça a dica e ainda nos lembra de que nenhuma pessoa sabe de tudo o tempo todo: “temos habilidades e conhecimentos diferentes, que se complementam. Em todas as relações estamos continuamente ensinando e aprendendo”.

6. Seja referência

Também é importante entender que deficiência não é doença. “Não devemos usar termos pejorativos e que remetam a sentimentos de inferioridade, como ‘ceguinho’, ‘surdinho’. Ao falar de alguém com deficiência, devemos usar o nome da pessoa, assim como fazemos com os outros amigos da criança”, explica Eliana.

Outro ponto de atenção é rever nossos próprios conceitos. Será que crescemos com algumas ideias preconceituosas introjetadas e as reproduzimos em falas e piadas, sem nos darmos conta? Atitudes de um adulto podem ser uma referência negativa em alguns momentos.

“É importante revermos nossa forma de agir. Devemos buscar informações sobre deficiência e inclusão para, assim, haver a construção da sociedade que tanto desejamos”, reforça Eliana.

7. Apresente o tema de forma lúdica

Livros e filmes podem retratar bem a discriminação e o sofrimento das crianças com deficiência. Além disso, podem demonstrar as dificuldades pelas quais passam. Isso é uma estratégia para fazer a empatia surgir e ajudar a entender um pouco mais desse universo.

É um assunto mais que necessário, concorda? Falar sobre deficiência e inclusão pode ser um desafio, às vezes. Mas, como você viu, é fundamental trazer o tema para a criançada. Se ainda ficar com dúvidas, busque leituras sobre o tema. O seu interesse já é um bom começo para trazer melhorias!

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